16/12/2019 BAÍA DE GUANABARA

Estação de reciclagem química

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com representantes de diferentes instituições, como OceanPact, Inea, L’Oreal, Baía Viva e Holos Brasil estão desenvolvendo o protótipo de uma estação de reciclagem química na costa da Ilha do Fundão aliada à implantação de ecobarreiras para impedir a entrada de novos poluentes plásticos na Baía de Guanabara. O local já sofre com a poluição, a alta sedimentação e degradação ambiental que colocam em risco a segurança hídrica e a resiliência da região. 
 
A estação de reciclagem utiliza o método de pirólise, onde há a decomposição térmica do lixo que vira insumo para a produção de novos materiais, além de gerar valor para diversas empresas da região a partir da economia circular. A proposta faz parte do laboratório de inovação Oásis Lab, iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Atualmente, 70% dos resíduos é lixo plástico, que é recolhido e enviado para aterros sanitários e nem sempre recebe a destinação adequada ao material. Cada tonelada de lixo transportada custa em média R$ 1 mil ao Estado. 
 
Outra alternativa é a reciclagem mecânica que prevê a limpeza dos materiais coletados e gera grandes custos aos cofres públicos, enquanto a reciclagem química tem custo médio estimado de R$ 400 por tonelada, apresentando-se como uma estratégia viável do ponto de vista econômico, de sustentabilidade e de conservação da biodiversidade. “Uma das ações revolucionárias da estação é requalificar um espaço a partir da despoluição. As beiradas da Ilha do Fundão são áreas públicas que nem sempre podem ser usadas pela população, justamente por questões ambientais. Outra ação revolucionária é fazer essa despoluição com as melhores tecnologias, integradas com a reciclagem”, ressalta Susana Vinzon, Doutora em Engenharia Oceânica e professora da UFRJ. Os idealizadores do projeto buscam agora atrair investimento para colocá-lo em prática.
 
A estação de reciclagem química faz parte de um projeto que engloba outros projetos desenvolvidos durante 2019, como o laboratório de inovação Oásis Lab, que reúne cerca de 100 participantes de 50 instituições, empresas, indústrias, ONGs e órgãos públicos, com o objetivo de fortalecer a segurança hídrica e a resiliência costeiro-marinha na região hidrográfica da Baía de Guanabara. Os participantes foram mapeados, engajados, capacitados e cocriaram soluções e agendas integradas com o objetivo de viabilizarem projetos inovadores desenvolvidos em conjunto.
 
“Mapeamos atores, iniciativas e instituições relevantes que atuam no território para identificarmos o que vem gerando resultados positivos para o meio ambiente e como potencializar isso por meio de uma aliança estratégica para a conservação e recuperação da região e de sua biodiversidade. Sabemos que muitas pessoas e empresas dependem diretamente da Baía de Guanabara para a provisão de água, regulação climática, cadeia da pesca, produção agrícola e turismo. Diante disso, reunimos atores públicos e privados com experiência e conhecimento em um laboratório de inovação para criar novas ferramentas para restaurá-la e torná-la uma região que aproveita o seu potencial econômico, social e de bem-estar”, afirma Renato Atanazio, coordenador de Soluções baseadas na Natureza da Fundação Grupo Boticário.

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